quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ANTES TARDE DO QUE NUNCA



Pensa numa pessoa que ama. Ama com intensidade, ama demais, ama loucamente. Agora pensa numa pessoa mucho loca. Uma pessoa que se enrolaria no próprio rabo, se tivesse um. Que vive correndo, correndo, correndo, mas ainda não conseguiu a paz de espírito de "chegar lá". In fact, ela não sabe bem onde é que esse  se esconde. Então ela corre. Ela corre, corre, corre. Ela quer, deseja, imagina, quer, quer, quer. Ela sente. Ela ama - de novo, e outra vez, e muito! Mas ela ainda não encontrou bem o caminho.
Agora pensa numas pessoas que, aparentemente aún más locas que a primeira, tiveram a coragem de chamar justo quem para ser a madrinha de suas joias raras?  Ma-dri-nha. Aquela que deve estar presente, que deve ser exemplo, que deve ser e deve estar disponível para estes pequenos gigantes. Justo quem? Esta bola de amor e fogo e pimenta e açúcar (e manteiga também, mas outrora, porque agora isso já não a pertence mais) que, sendo o próprio emaranhado de sentimento e inquietude, vive quicando mundo afora e mundo adentro em busca de si mesma. Vaya coragem!
Mas aqui está o ano novo, mais uma chance, mais uma página em branco com cheirinho de papel zero bala pedindo por (re)começos. E ainda que arrependimento e culpa insistam em me rondar cada vez que penso na minha falta de organização para estar mais próxima dessas vidas com que me presentearam, resolvi parar de querer cavar um buraco de tanta vergonha  e, enfim, fazer algo que esteja ao meu alcance hoje. E o tem me pulsado forte no coração é o desejo de compartilhar alguns dos aprendizados que surgem com meus trancos, barrancos, voos e vitórias, e que é tudo o que, neste momento, posso doar além do meu amor e carinho infinitos.
Pode ser que amanhã isso mude. Pode ser que eu consiga fazer boa parte do que eu sonhei cada vez que me deram a notícia de que eu seria madrinha. Pode ser que a gente viaje juntos, que eu seja a dinda véia confidente, que eu consiga presenteá-los com um curso de verão na Europa, que eu acompanhe um porre e prepare poções mágicas pra curar a ressaca no dia seguinte, que eu dê meu ombro pra aquela dor de amor de lascar, que eu chame pra uma conversa séria pra lembrar que tem que ajudar em casa sim, que eu ensine a dirigir ou que os leve para a prova no dia do vestibular. Pode ser até que eu acompanhe o nascimento dos seus filhos bem de pertinho (sonho dourado!). E pode ser que eu não consiga fazer nada disso, mas se eu puder dividir um pouco das dores e delícias dessa vida, se eu puder uma única vez evitar que vocês sofram por algo que não valha a pena ou se puder ajudá-los a ter insights importantes, já vou ter cumprido minha missão.
Essa minha quadragésima tentativa de escrever um blog é, portanto, dedicada aos meus afilhados Gui, Flora e Olivia, à minha amada filha Lavinia (a quem eu escrevo infinitas linhas, mas infelizmente só no plano mental, desde que ainda a tinha no meu ventre), a todas as flores e frutos dos meus queridos amigos, esses preciosos pontos brilhantes e abundantes fontes de fé, inspiração e esperança e a todas as mães, pais e ancestrais que fazem parte deste desafio divino que é gerar, criar, preparar e, principalmente, aprender com esses mestres que, de pequenos, só têm o tamanho. E por bem pouco tempo.